IGREJA MATRIZ DE CAMINHA PANOTOUR


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Portal Sul

Este portal lateral sul segundo Paulo Pereira é de autoria de João Nobre é datado de 1530-40, e segundo a equipe da DGMEN (Restauro da igreja em 1936) a autoria de João de Tolosa (mestre do País Basco). Servia a população da vila, e o portal axial os donatários. É renascentista na sua composição coluna-arco-frontão, com um entablamento de quatro nichos; a Virgem como menino nos braços (NªSrª dos Anjos), dois apóstolos e dois evangelistas (S.Pedro, S.Marcos, S.Lucas, S.Paulo). No espaço que separa os capiteis da arquivista, aparecem dois bustos humanos em dois medalhões, que segundo a tradição representam o rei D.Manuel e sua esposa D.Maria.

Na empena do frontispício assenta cruz em flor-de-lis sobre carneiro. O portal lateral Sul tem pilastras esculpidas apoiando banda, com 4 nichos rendilhados contendo imagens dos Apóstolos Pedro e Paulo e dos Evangelistas Marcos e Lucas e, lateralmente, as da Esperança e Caridade. Remata-o frontão triangular com Nossa Senhora dos Anjos no tímpano, enquadrado por medalhões e urnas e coroado ao nível dos telhados por platibanda rendilhada e Cristo na Cruz. A capela lateral tem platibanda, pináculos nos cunhais e gárgulas de canhão. Na capela do Espírito Santo, sacrário rotativo. Torre sineira com parapeito saliente sobre cachorrada e coroada por merlões.

Os seus trabalhos iniciaram-se em 1488 sob orientação dos biscainhos Tomé de Tolosa e Francisco Fial, ao quais se seguiram outros mestres de origem biscainha e galega, entre os quais se destacam os nomes de João de Tolosa e Pero Galego. A obra demorou 68 anos. A escolha do local para a sua construção não foi pacífico, pela necessidade do espaço necessário para a sua construção dentro do perímetro da muralha. As dimensões generosas deste templo (45x15m) pediam mais espaço do que o existente após as expropriações dos moradores. O portal axial ficava a poucos metros da antiga muralha medieval, deixando como espaço uma triste viela escura. O desagrado da população por este erro topográfico, devia ter-se manifestado com alguma violência, de modo a inquietar os construtores. Foi provavelmente esse facto, que forçou a construção do pórtico voltado a sul de maior qualidade e impacto arquitectónico. Este emparedamento da fachada principal só ficou libertado quando em 1647 , a guerra da restauração determinou a necessidade da substituição da muralha do séc XIII, por outra que abrangesse toda a parte exterior da vila.
Trata-se de arquitectura religiosa de transição entre o gótico final e o renascimento, integrando-se na tipologia das igrejas Manuelinas de 3 naves, com cobertura de madeira, de 2 andares na central e cabeceira abobadada, seguindo assim o esquema das igrejas mendicantes do gótico português. É uma das igrejas paroquiais que no séc. 15 e 16 que reproduz ainda as fachadas das igrejas monacais (de 3 corpos), variando apenas as proporções, e em que a decoração dos portais e dos pilares e a substituição dos arcos quebrados pelos de volta perfeita anunciam já o renascimento.

A configuração geral do edifício revela ao primeiro olhar, as grandes linhas do traçado interior: três naves divididas por 5 ramos de arcos plenos sobre pilares circulares. A nave central mais elevada, e cobertura em madeira forrada a telha. Mede 45mx15m de área